sábado, 23 de janeiro de 2010

Beleza escondida no Cemitério Municipal

Por Mara Andrich para o Jornal Estado do Paraná
Veiculado em 12/01/2010



As fotos da exposição Um olhar ... a arte no silêncio, de Clarissa Grassi, podem ser vistas até o final do mês, em Curitiba.

Fotografias que retratam detalhes das obras de arte que compõem túmulos e mausoléus do Cemitério São Francisco de Paula, conhecido como Municipal, em Curitiba.

A situação parece um tanto mórbida, mas a fotógrafa Clarissa Grassi garante que trata-se de uma arte de muito bom gosto e cheia de detalhes que fazem o observador viajar no tempo, na história de sua cidade, e na história de famílias anônimas ou famosas. Quem quiser conferir as fotos pode visitar a exposição Um olhar... a arte no silêncio, no Pollo Shop Champagnat, em Curitiba, até o dia 30 de janeiro.

A ideia da fotógrafa e relações públicas Clarissa é desmistificar a morte, mostrar que ela pode ser bela, mesmo que por meio das suas representações em um cemitério.

“Só depende da forma como você as olha”, analisa. Ela conta que sempre se interessou pelas esculturas e os epitáfios dos cemitérios. “Você pode entender a história de uma cidade só com visitas aos cemitérios. Sem falar nos costumes, que você também verifica nestes locais, pois cada povo tem um jeito diferente de enterrar seus entes queridos”, diz Clarissa.

A arte de fotografar cemitérios surgiu na vida de Clarissa por acaso, quando ela trabalhou em um site. Mas como já gostava de visitar estes locais, resolveu fazer algumas fotos no Municipal, cemitério que já tem mais de 100 anos.

“Sempre gostei de visitar cemitérios, é um lugar de paz. Fico pensando em quem está enterrado, sua história. Para mim, visitar estes locais significa recarregar baterias”, comenta.

Clarissa faz as fotos dos detalhes, e não dos túmulos inteiros. “As pessoas viam as fotos das esculturas e achavam que eram de alguma praça, museu, mas na verdade eram de um cemitério. Depois que elas ficavam sabendo que eram de um cemitério, a foto já não ficava tão bonita. Então eu ficava indignada: porque uma foto no cemitério não pode ser bonita? É uma questão de maneira de olhar”, observa.

Depois que fez as fotos (na exposição o visitante encontra 152 imagens), Clarissa resolveu selecionar algumas (cerca de 50) e pesquisar a história de cada um dos túmulos das quais elas faziam parte. A fotógrafa procurou as famílias e verificou que muitas delas não sabiam o porquê de determinada escultura.

“As pessoas mais idosas veem a morte com mais naturalidade e têm interesse em saber mais sobre ela. Já os jovens não têm esse mesmo interesse, acham que a morte é só vilã”, comenta.

Toda a pesquisa deu origem a um livro, de mesmo nome da exposição, lançado em 2006. “A arte funerária é muito vasta. Hoje há até estudos cemiteriais, com inúmeras linhas de pesquisa. E eu gosto de chamar a atenção para isso tudo, principalmente quando esta arte está deteriorada, como ocorre em alguns cemitérios”, conta.

Clarissa é também vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais. A fotógrafa já visitou cemitérios de outras cidades, e pretende dar continuidade ao trabalho de fotos.

Serviço
Exposição fotográfica Um olhar...a arte no silêncio. Até o dia 30 de janeiro, no PolloShop Champagnat, em Curitiba (Av. Padre Agostinho, 2885 -Bigorrilho). De segunda a sábado, das 10h às 22h, domingo das 12h às 19h. Entrada gratuita.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Anjo do Apocalipse


Sou uma curiosa inata... Da mania de sempre querer saber mais, o por quê das coisas, surgiu a vontade de mostrar às pessoas a beleza da arte tumular. Entre as caminhadas no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, me vi apaixonada por inúmeras esculturas, cheia de curiosidade sobre a história dos túmulos, o significado da simbologia carregada por essas obras de arte... Surge meu primeiro livro, uma singela amostra do potencial histórico e artístico dos cemitérios.

Dois anos depois do lançamento do livro "Um olhar... A arte no silêncio" me vejo cada dia mais apaixonada pela arte tumular e pelos cemitérios. Os estudos continuam e a vontade de compartilhar a beleza destes campos santos também. É por isso que decidi criar esse blog e dividir com meus amigos e desconhecidos, um pouco de meus estudos e das fotos que faço em viagens por inúmeros cemitérios.

Não há pretensão nenhuma além de dividir o que vejo e o que sinto... Espero que apreciem e é claro, comentem!

Para iniciar os posts, apresento a vocês um Anjo do Apocalipse. A obra original, localizada no Cemitério de Staglieno em Gênova, Itália, foi executada por Giulio Monteverdi. Segundo a bíblia, esse anjo tem a função de no dia do apocalipse, soar a trombeta para chamar os mortos à ressurreição. Em posição de guarda, o anjo silencia aguarda o momento de executar sua tarefa...